quinta-feira, 25 de agosto de 2016

MONOGRAFIA: INCLUSÃO: O DESPERTAR DE UMA NOVA SOCIEDADE




  

INCLUSÃO: O DESPERTAR DE UMA NOVA SOCIEDADE



AGRADECIMENTOS



A Deus, por me conceder o dom da vida, às minhas colegas: ______, grandes amigas que compartilham comigo as venturas e desventuras da grande missão que é educar, a professora e orientadora, __________Pereira por me incentivar a embrenhar pelos caminhos da pesquisa e a todo o corpo docente do Instituto “A Vez do Mestre”.

                                                                                   



DEDICATÓRIA


Dedico essa pesquisa aos meus pais: _______ e _________principais responsáveis pelo meu sucesso, ao meu esposo José Cícero, grande incentivador.





RESUMO



Percebe-se que as pessoas portadoras de necessidades especiais ainda estão excluídas da sociedade buscando processos bilaterais para equacionar problemas, decidir sobre soluções efetivas e equiparação de oportunidades para que se tornem membros da sociedade e tenham oportunidades eqüitativas. Não basta apenas colocá-los em Escolas Inclusivas, é necessário antes um preparo para quebrar barreiras, sejam físicas, ou psicológicas, incluir, envolver inserir e não só adaptar ao meio físicos, mas seguir parâmetros para que permita a acessibilidade explícita despertando a sociedade para agir e integrar-se. Espera-se que esta pesquisa possa ter influência para quem lê-la, e que possibilite ganhar experiência e promover a discussão sobre a clientela assistida nas Escolas Inclusivas. Será de grande relevância estudar, buscar, pesquisar essa causa tão envolvente.  Contribuirá principalmente para os professores que de alguma forma estão preocupados com a Inclusão na sociedade. Seja através da bibliografia, seja através de temas abordados. Para isso é necessário ser feito um embasamento teórico a partir dos respectivos autores: Sassaki (1997) por acreditar que sociedade deve garantir espaços a todas as pessoas e fortalecer as atitudes de aceitação das diferenças individuais e de valorização da diversidade humana priorizando sempre a importância do pertencer, da convivência, da cooperação. Todas as pessoas poderão contribuir para que as condições de vida sejam comunitárias, mais justas, saudáveis e satisfatórias. Mantoan (1997), Concordamos que a pessoa portadora de deficiência é uma parte da sociedade, sim. Está vivendo em sua família, possui possibilidade de educação e reabilitação, passa seu lazer com pessoas próximas. É parte desta sociedade, vive dentro dela e interage com os outros elementos da mesma, Almeida (2004), entre outros. A pesquisa se justifica pelo fato de englobar uma categoria de profissionais da educação que atuam nas instituições escolares e participam com essas pessoas dos seus dramas e conflitos.
  


METODOLOGIA


                  A metodologia empregada nesta pesquisa envolverá o método indutivo-científico, embasada por autores consagrados. Assim, poderá ser utilizada como apoio a educadores que trabalham com inclusão e que sempre estão buscando novas perspectivas.
                  A proposta deste trabalho é que educadores e toda a sociedade possam refletir sobre o seu papel e, que a partir daí possam quebrar as barreiras do preconceito em relação aos portadores de necessidades especiais.
Para a realização dessa monografia foram necessárias pesquisas nas escolas inclusivas de São Miguel do Araguaia, com o intuito de constatar o processo da inclusão nas escolas avaliando as propostas destas. A partir daí poderá ser analisado não só contexto da sala de aula como o comportamento dos pais e integrantes da escola.





INTRODUÇÃO


               Esta pesquisa cujo titulo, “Inclusão: O despertar de Uma Nova Sociedade”, tem como objetivo evidenciar a inclusão como prioridade para portadores de necessidades especiais, enfatizando o processo histórico da Inclusão, destacando a sua conceituação e as tentativas governamentais e não-governamentais para incluírem as pessoas portadoras de deficiências na sociedade.Por ser um tema envolvente, sobretudo nessa primeira década em que os governos se posicionam a favor da inclusão abrindo espaços para as pessoas portadoras de deficiências, vítimas, até pouco tempo do preconceito das outras pessoas, percebe-se claramente a necessidade de aprofundar e evidenciar a trajetória desse processo.
                   Para tanto, esse trabalho divide-se em quatro capítulos, referências bibliográficas e anexos.
 O primeiro capítulo, “Histórico da Educação Inclusiva”, traça trajetória de inclusão desde os primórdios, abordando o processo de inclusão social como proposta de atender às necessidades das pessoas portadoras de deficiências, abrindo novas perspectivas de vida. Ao serem excluídas do convívio social passam a freqüentar as chamadas “escolas especiais”.  O propósito é reavaliar todo o contexto social.
O segundo capítulo, “Escola: Ambiente de Inclusão”, perscruta o interior da escola apresentando experiências bem sucedidas de inclusão, inclusive no Estado de Goiás, em que estas passam a servir de modelo para outras. Este capítulo assume um caráter intrínseco ao tratar de vivências do cotidiano, em que o portador de necessidades especiais passa a ser valorizado como pessoa.
O terceiro capítulo, “Escola Inclusiva, formação de professores e Relação entre Psicopedagogia Institucional faz uma reflexão sobre a que a escola se propõe para atender os portadores de necessidades especiais, evidenciando dessa forma à capacitação de profissionais para a inclusão. Ao tratar da relação entre a Psicopedagogia Institucional em relação ao tema proposto, a intenção é interar-se como o psicopedgogo poderá atuar.
O quarto capítulo, “ Estudo de caso nas Escolas Inclusivas em São Miguel do Araguaia”, será feito o estudo de caso nas Escolas inclusivas de São Miguel do Araguaia”, nas quais será feita uma análise da inclusão quanto à integração das pessoas portadoras de necessidades especiais na rede regular de ensino e também na sociedade em geral. Essas instituições foram desafiadas a criarem programas ou serviços que disponham a atendê-las permitindo-lhes a sua sociabilização. Para isso o estudo se baseou na visão de Piaget e Vygotisky
E de acordo com o enforque dado, a pesquisa se delineará na fundamentação do tema a partir de um estudo criterioso, em que as bases desse estudo se configurarão numa vasta bibliografia.







CAPÍTULO I



HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

De acordo com uma vasta literatura pode-se constatar a inoperância do sistema educacional em relação à inclusão, tanto que surgiram as escolas especiais em decorrência da grande demanda de criança e adolescentes com deficiência mental (DM) e de experiências de deficiências de famílias ilustres que estudaram no exterior e procuraram trazer para seus colegas brasileiros a mesma possibilidade de aprender.
A primeira escola especial que se conheceu foi o Instituo de Ensino para Cegos, aberto em 1854, no Rio de Janeiro, por iniciativa de Álvares de Azevedo, cego que estudou em Paris e retornou ao Brasil em 1851. A mesma história se repete com a educação especial dos surdos em 1855.
As escolas especiais têm um papel fundamental na formação destes indivíduos, de propiciar a convivência das crianças e adolescentes e possibilitar que os mesmo se desenvolvam como indivíduos.
Nas escolas especiais só estudavam crianças portadoras de alguma deficiência. Com o passar do tempo a sociedade percebeu que as crianças portadoras de deficiências eram capazes de aprender como qualquer outra pessoa “dita normal”, pois todas as pessoas com necessidades  especiais tem o direito de manifestarem seus desejos quanto à sua educação, na medida de suas capacidades  podendo estar certas disso.  Os pais têm o direito de serem consultados sobre a forma de educação que melhor se ajuste as necessidades de seus filhos.
Há alguns anos os indivíduos portadores de necessidades especiais eram vistos como “doentes” e incapazes e sempre estiveram em desvantagem. A posição deles era de alvos da caridade popular e da assistência social e não de sujeitos de direitos sociais entre os quais se inclui o direito à educação.
Durante muito tempo, os problemas das pessoas com necessidades especiais foram se agravando devido a uma sociedade mutiladora que se fixava mais em suas incapacidades do que em seus potenciais.
A educação inclusiva representa um passo concreto e considerável em nossos sistemas escolares, para assegurar que todos os estudantes comecem a aprender que o pertencer é um direito, não um status privilegiado que pode ser conquistado.
A necessidade da inclusão é resultado de estudos ou projetos das Secretarias de Educação e da realidade educacional que aponta na direção de um sistema de educação centrado na diversidade humana.
Constitui-se numa proposta de reformulação e implementação da Educação Especial e orientação, destinada a adotar políticas de Educação Inclusiva para pessoas com necessidades especiais na escola, na família e na sociedade.
Alguns anos atrás os alunos com necessidades especiais eram preparados para adaptar-se ao sistema. Eles tinham de estar aptos, serem capazes de integrarem-se, com isso uns acompanhavam o mesmo nível dos “normais” e outros não. Daí a necessidade de se criar serviços de apoio garantindo a permanência desse aluno na escola regular.
Discutida no contexto educacional, implica na possibilidade de que estes alunos não somente freqüentem uma escola, mas também aprendam e acompanhem o currículo regular através de um método pedagógico utilizado para a população escolar considerada “normal”.
Para atender os alunos com necessidades especiais é imprescindível, a reestruturação dos sistemas de ensino no que se refere à administração do processo ensino-aprendizagem, o que implica também em repensar a rede física, o mobiliário, os recursos humanos e materiais didáticos, para que se possa expandir com qualidade, a educação inclusiva em todo o país.
A primeira escola a receber e valorizar alunos com necessidades especiais foi uma Escola de Morrinhos, em Goiás, a partir daí foram surgindo novas escolas como ponto de referência de inclusão.
Em 1999, as Subsecretarias de Educação de Goiás se tornaram responsáveis por apoiar à inclusão. O núcleo vem encarregando algumas escolas de atuar como referência de inclusão desativando, aos poucos, suas salas especiais.
                  Tornar realidade a educação inclusiva, por sua vez, não se efetuará por decreto sem que se avaliem as reais condições que possibilitem a inclusão planejada gradativa e contínua de alunos com necessidades educacionais especiais nos sistemas de ensino. O processo deve ser gradativo devido a necessidade de  uma educação especial como o ensino regular, possam se adequar a nova realidade educacional construindo políticas e práticas institucionais e pedagógicas que garantam o incremento da qualidade do ensino,  envolvendo alunos com ou sem necessidades educacionais especiais.     A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais em classes comuns exige da escola regular uma organização a oferecer possibilidades objetivas de aprendizagem, a todos os alunos, especialmente aos portadores de necessidades especiais.
A inclusão de pessoas com algum tipo de necessidade especial no sistema regular de ensino do nível fundamental à universidade, continua a ser uma luta no Brasil, mesmo com a Constituição de 1988 garantindo a todos, irrestritamente, o acesso à educação. O mais comum ainda é a matricula nas chamadas escolas especiais ou nas classes especiais, salas específicas para portadores de necessidades especiais dentro das escolas regulares.
O  maior problema é que a legislação e as portarias do MEC não são tão claras ao tratarem da inclusão dessa população no sistema de ensino, favorecendo com isso interpretações dúbias.
Sabe-se que  crianças portadoras de necessidades podem ir muito além dos estreitos limites que a sociedade e alguns laudos médicos estabeleceram para elas. A evolução de alunos com deficiência mental, quando colocados em convívio com os outros alunos, é radicalmente diferente do que ocorre em Escolas Especiais, pois eles acabam adquirindo habilidades que estimulam seu desenvolvimento cognitivo e mental, aumentando sua auto-estima e, conseqüentemente, melhorando seu aprendizado.
Concordamos que a pessoa portadora de deficiência é uma parte da sociedade, sim. Está vivendo em sua família, possui possibilidade de educação e reabilitação, passa  seu lazer com pessoas próximas. É parte desta sociedade, vive dentro dela e interage com os outros elementos da mesma. Dependendo de seu grau de deficiência, porém, está vivendo em subsistemas mais ou menos fechados: hospital, escola especial, centro de reabilitação, oficina protegida... ou mesmo na rua pedindo esmola, em condições precárias de vida, com poucos contatos, isolado, sobrevivendo... Sem dúvida, a pessoa portadora de deficiência está sendo marginalizada ou segregada, pois lhe é impossibilitado desfrutar dos benefícios previstos para a maioria da população, mas usufrui um sistema, especialmente criado para suprir suas necessidades: o sistema de educação especial. (MANTOAN, 1997:45)



Esse novo paradigma de ensino vem propiciando, mesmo que ainda de maneira tímida uma saudável convivência, chamada de educação inclusiva substitui urna antiga prática que buscava a inserção escolar do portador de necessidade especial, através da integração.
A diferença entre os dois modelos é enorme, como explica o assistente social e consultor em inclusão Romeu Kazurni Sassaki, que há mais de 40 anos trabalha com a inserção social de portadores de necessidades especiais. É a escola que tem de suprir as necessidades dos alunos portadores de necessidades especiais para lhe garantir a permanência em sala de aula.
A idéia fundamental da Educação Inclusiva é adaptar o sistema escolar às diferentes necessidades de cada aluno, uma vez que a mesma visa colaborar na reestruturação do sistema educacional, capacitando os educadores para melhor atender aos alunos portadores de necessidades especiais.
A inclusão é uma nova forma educacional, a qual os professores devem se adaptar, aprimorando seus conhecimentos para o tratamento das diversidades. Sendo assim, um estudo básico sobre as deficiências. Pois o papel das escolas inclusivas é desenvolver uma pedagogia centrada na criança, educar sem discriminar, respeitando as diferenças.
Algumas universidades já estão adotando em seus currículos do curso de pedagogia disciplinas relacionadas com as deficiências, pois as mesmas acreditam não poder atender o que não sabem. Para que a inclusão do aluno portador de necessidade especial seja eficaz, é preciso uma ampla e continua campanha de esclarecimento da sociedade em geral, das autoridades educacionais e dos alunos das escolas comuns e especiais e de seus familiares. Serão imprescindíveis os treinamentos dos atuais e futuros professores comuns e especiais. Esses treinamentos deverão enfocar os conceitos inclusivistas.
Vários autores sugerem urna dimensão funcional nos objetivos da aprendizagem, para levar em conta as peculiaridades cognitivas dos alunos podadores de necessidades especiais, sem configurar uma modalidade especial para essas pessoas.
A educação escolar inclusiva questiona as questões, referentes à competência desses alunos, para enfrentar as exigências acadêmicas, especialmente nos sistemas de ensino em que o paradigma do ensino é dividido em dois: regular e especial. É que essa subdivisão, muitas vezes dificulta a capacitação dos professores, em ministrar urna educação de qualidade, comprometida com o desenvolvimento pleno das possibilidades de cada aprendiz. Porque esses alunos têm o direito de viver desafios para desenvolver suas capacidades e de conquistar autonomia social e intelectual, decidindo e tomando iniciativas, em função de suas necessidades e motivações.
A inclusão escolar é incondicional e, portanto, não admite qualquer forma de segregação. Esta opção de inserção tem como meta principal não deixar nenhum aluno fora do ensino regular, desde o início da escolarização, questionar o papel do meio social no processo interativo de produção das incapacidades, porque o deficiente tem o direito de se desenvolver corno as demais pessoas, em ambientes que não discriminam, mas valorizam as diferenças.
Segundo (Almeida, 2004; p.15), o paradigma da inclusão só emergiu a partir dos quatro eixos: da emergência da Psicanálise, da luta pelos direitos Humanos; da Pedagogia Institucional e, do Movimento de Desinsistitucionalização Manicomial ou Antipsiquiatria. Esses desencadeadores históricos é que iniciou e delineou um problema público: a questão de inclusão social, que toma forma e exige novas formas educacionais e sociais.
Em São Paulo a Instituição AVAPE, proporciona atendimento clinico  aos portadores de necessidades especiais e proporcionam a inclusão  adolescentes, preparando-os para o mercado de trabalho.  As oficinas de trabalhos manuais são mantidas em parcerias com fornecedores, como é caso da fabricação de sabonetes e bijuterias. O mais curioso, é que o médico idealizador, Dr. Brunini, sofreu paralisia infantil quando criança, e hoje é maratonista, corre com muletas. O trabalho de assistência é feito por pedagogos, psicólogos e tantos outros profissionais.

1.1. Posição do Brasil em relação outros países da América Latina

Em o informativo MEC, 2002, o Brasil é apontado como destaque na América Latina, conforme os dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), sendo o país da América Latina, que mais insere alunos com necessidades especiais em escolas regulares, seguido do México e Chile. Atualmente, 34,4% dos 566,753 estudantes com necessidades especiais do país freqüentam a rede regular de ensino. A educação inclusiva ajuda no desenvolvimento físico e intelectual dos alunos especiais, estimula valores como respeito e companheirismo e os professores tem melhor desenvolvimento profissional ao lidar com as diferenças na sala de aula.
O programa criado pelo MEC, Direito à Diversidade tem como meta promover a educação inclusiva, priorizando a formação de professores para que todos os alunos possam ser atendidos de acordo com suas necessidades. Os docentes atuam como multiplicadores em suas regiões. Até o término de 2005, 23 mil novos professores teriam se formado.
Pela primeira vez o MEC está distribuindo livros em braile para que todos os alunos cegos do ensino fundamental, matriculados na rede pública e privada sem fins lucrativos. A iniciativa beneficiaria 5.200 alunos. Em 2004, o MEC iniciou a distribuição de livros paradidáticos para estudantes cegos do ensino fundamental. Foram beneficiados 3.717 alunos, de 2.128 escolas.
     Para ampliar a produção desses livros, foram investidos 2,5 milhões na modernização do parque gráfico do Instituto Benjamin Constant, a instituição é vinculada ao MEC e especializada no tratamento da pessoa cega.









CAPÍTULO II



 ESCOLA: AMBIENTE DE INCLIUSÃO


                  A reportagem da Revista TV Escola “Ambiente de Inclusão, 2001 p. 26, 28 a 32, apresenta Goiás  como um dos estados que mais leva a sério a inclusão. Relatos de experiências comprovam o compromisso das escolas inclusivas  ao valorizar os alunos com necessidades especiais.
                  Quem circula pelas salas de aula da escola Alfredo Nasser vê claramente o compromisso de todos com a inclusão, incluir para as professoras da Escola Alfredo Nasser é respeitar as diferenças e dificuldades e apoiar capacidades de qualquer aluno.
                  Entre inúmeras experiências citadas aqui, percebe-se o apoio da Subsecretaria da Educação para a região de Morrinhos que funciona a equipe de apoio à inclusão, formada pela psicóloga Maiza Barros Pinheiro, assistente social Glória Maria Pequeno de Azevedo, a fonoaudióloga Ronise Gomes Canedo e a pedagoga Jackeline Fernandes de Moura. Entre outros recursos, este grupo utiliza vídeos da TV Escola que ajudam a sensibilizar professores quanto às deficiências. Programas do Salto para o futuro como os da serie PCN ao projeto educativo da escola foram utilizados nesse processo.
                  A Escola Alfredo Nasser tornou-se um modelo de inclusão porque resolveu encarar os próprios medos e preconceitos.
                  A escola utiliza inúmeros recursos tecnológicos, é uma das escolas pioneiras por ter seu próprio laboratório de informática e cursos do então Núcleo de Tecnologia Educacional – NTE. De uma hora para outra seus professores estavam comprometidos com o Proinfo, a TV Escola, e a capacitação para atendimento de alunos com necessidades especiais. Uma nova figura surgiu, o dinamizador.
                  Além das boas intenções o compromisso assumido desde 1999 das subsecretarias de Goiás instaladas em 32 municípios sede de regiões, são responsáveis por apoiar nas escolas o trabalho de núcleo de apoio à inclusão. O núcleo vem encarregando algumas escolas de atuar como referência para a região de Morrinhos, por causa da proximidade com a Escola de Reabilitação Alice Ferreira, instituição municipal que atende e encaminha pessoas portadoras de necessidades especiais para serviços públicos. Com um número maior de alunos com necessidades especiais do que outras escolas, a escola estadual já vinha procurando trabalhar de forma inclusiva. Foi tornar-se a escola como referencia em 2000 com a formação de uma equipe de apoio à inclusão.
                  Faz parte do trabalho um olhar atento para os problemas. Parece simples trabalhar com a inclusão, mas não é fácil admitir preconceitos. E eles atrapalham, mesmo quando se esconde atrás de boas intenções.
      Já o artigo da Revista Nova Escola, “A Escola que é de todas as crianças”, 2005 escrito por Meire Cavalcante, revela que o número de estudantes com algum tipo de necessidade especial crescem a cada ano na rede regular de ensino. Em 1998 havia apenas 43,9 mil alunos matriculados na redes pública e privada de ensino. Em 2003, eram 144,1 mil, em 2004 chegaram a 180,7 mil – um crescimento anual recorde de 28,1% . Os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) não deixam dúvidas de que o movimento da inclusão no Brasil é irreversível.
      O crescimento não acontece por acaso. A Constituição Brasileira de 1998 garante o acesso ao Ensino Fundamental regular a todas as crianças e adolescentes sem exceção, ganhando reforços com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, Convenção de Guatemala, de 2001, que proíbe qualquer tipo de diferenciação, exclusão ou restrição baseadas na deficiência das pessoas, configurando-se que mantê-las fora do ensino regular é considerado exclusão – é crime; assim como  o direito da pessoa deficiente na educação comum está implícita na Declaração  Mundial da Educação para Todos, aprovada pela ONU em 1990 e que por sua vez inspirou o nosso Plano Decenal de Educação e Desporto, (1993).
A UNESCO registrou, na Declaração de Salamanca (1994a) o conceito de inclusão no campo da educação comum. Esse mesmo documento menciona os conceitos de “inclusão”, “educação inclusiva”, “abordagem de educação inclusiva” “classes inclusivas” “escolas inclusivas”, “princípios de inclusão” “escolaridade inclusiva” “políticas equacionais” “provisão inclusivas” às necessidades educacionais “especiais “inclusão na educação e no emprego”, e também de sociedade inclusiva (p. 6,11,13, 17, 19. 21, 22, 27, 31, 33, 41, 45, 46 ) .
Na seqüência, a Assembléia Geral da ONU aprovou o documento Normas sobre Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência (1996) que diz:
-          As autoridades da educação comum são responsáveis pela educação de pessoas com deficiência em ambientes inclusivos. Elas devem garantir que a educação de pessoas com deficiência seja uma parte integrante do planejamento educacional do desenvolvimento de currículo e da organização escolar.
-          A educação em escolas comuns pressupõe a provisão de intérprete e outros serviços de apoio adequados. Serviços adequados de acessibilidade e de apoio, projetados para atender as necessidades de pessoas com diferentes  deficiências, devem ser prestados ( p.28).
                  O debate constante, a divulgação de experiências bem-sucedidas e a conscientização crescente sobre o que dizem as leis têm se refletido positivamente nas estatísticas educacionais. O número de matriculas dessas crianças em escolas especiais caiu: passou de 87,7%, em 1998, para 65,6% em 2004. Apesar do avanço, a maioria continua sem ter seus direitos garantidos. “Nem os pais dessas crianças podem mantê-las em casa ou apenas em escola especial”, afirma Eugenia Augusta Fávero, procuradora da Republica, “Entendida a lei, a discussão deve ser sobre a qualidade da educação para todos, e não só para crianças com deficiência. A inclusão faz parte de um grande movimento pela melhoria do ensino”, afirma Cláudia Dutra Pereira, secretária da Educação Especial do Ministério da Educação. O primeiro passo para que isso aconteça é olhar a educação de outro jeito.
                  Os especialistas em inclusão afirmam que a escola, organizada como está produz a exclusão. Os conteúdos curriculares são tantos que tornam os alunos, professores e pais reféns de um programa que pouco abre espaço para o talento das crianças. Assim, que não acompanha o conteúdo está fadado a exclusão e ao fracasso. “Isso ocorre não só com crianças com deficiência. A escola trabalha com um padrão de aluno e que não se encaixa nele fica de fora”, afirma a educadora Maria Tereza Egler Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade da Universidade Estadual de Campinas.
                  A inclusão não atende apenas as crianças com deficiência, mas também as excluídas ou discriminadas. Quantas vezes, o professor de qualquer localidade deste país tem se deparado com uma determinada situação em que ao se organizar trabalhos em grupo, a menina gordinha ou o garoto negro, foram isolados de seus colegas? E na aula de Educação Física quantos foram ignorados por não serem jogadores exímios? A discriminação não ocorre apenas entre estudantes. Muitas vezes as avaliações servem mais para ver quem se encaixa nos padrões de aluno ideal do que para medir o progresso de cada um, dentro de suas possibilidades. “Esse padrão só gera sofrimento, pois a criança tenta atender as expectativas de uma escola que não valoriza seu potencial” afirma, a educadora Rosangela Machado, coordenadora de Educação Especial do município de Florianópolis.
                  Os alunos superdotados também são muitas vezes negligenciados, pois geralmente vão bem nas avaliações e não dão trabalho com o conteúdo. E na Escola que não valoriza a diversidade, o conteúdo é determinante. Municípios conscientes já oferecem atendimento educacional especializado para essas crianças nas mais diversas áreas, no contraturno.
                  A Educação Especial atualmente é entendida como a modalidade de ensino que tem como objetivo quebrar as barreiras que impedem a criança de exercer a sua cidadania. O atendimento educacional especializado é apenas um complemento da escolarização, e não um substituto. Essa com concepção vem sendo aplicada com sucesso na rede de Florianópolis. Em 2001, o município começou a adaptar escolas, capacitar professores comprar equipamentos para atender a todas as crianças. A rede criou as chamadas salas multimeios, instaladas em escolas pólo que servem outras escolas e creches das redondezas. Lá são atendidas crianças cegas, com baixa visão, surdas, com dificuldades motoras e surdas e cegas. Os professores dessas salas são capacitados para ensinar libras; (língua brasileira de sinais); braile (língua portuguesa para surdos chamada também de L2) e o uso de instrumentos como o soroban (ábaco japonês). Os alunos com dificuldade de comunicação aprendem formas alternativas de expressão por meio de recursos muitas vezes simples – como uma chapa de metal com letras imantadas – ou mais elaboradas – como computadores adaptados ou uma lupa que projeta na TV o texto ampliado.
                  Taila de Oliveira Aguiar, de 13 anos, utiliza esse atendimento. Ela está na 4ª série da Escola Básica Luiz Candido da Luz e assiste às aulas como toas as outras crianças. Hoje ela quase não enxerga e, apesar de já ser alfabetizada, precisa reaprender a ler e escrever em braile. Para ler, ela treina a sensibilização das pontas dos dedos e para escrever, aprende a usar o reglete. Essas técnicas são dadas  nas salas multimeios pela especialista Geisa Letícia Kempler Bôck, que trabalha em parceria com a professora regente de Taila, Nádia Oliveira de Souza Vieira. “Antes das aulas, passo para a Geisa os materiais que usarei. Ela transcreve tudo no braile e elabora materiais que ajudam a compreensão do conteúdo pelo toque”, afirma Nádia. O trabalho na sala multimeios dá a alunos como Taila instrumentos para participar da vida na sala de aula e fora da escola”, explica Geisa. “Quando eu enxergava era bem mais fácil. Mas gosto da escola porque a professora Geisa me ensina o braile e aprendo lições com a Nádia. Meus amigos também me ajudam muito, conta a garota.
                  Nessa reportagem, os leitores podem achar que a organização escolar só funciona com crianças com deficiência física, sensorial e mental leve, entretanto é possível incluir outras que apresentam comprometimento severo. Um exemplo é Nayara Albuquerque Gomes da Silva de 12 anos, aluna da 5ª série da Escola Viva. Desde que chegou a escola, em 1998, a família mantém uma acompanhante para ajudar em sua higiene e alimentação. No início foi difícil. Ela tirava roupa, tinha medo de estranhos e era agressiva. Com o tempo e a dedicação dos professores, ela começou a desenvolver meios alternativos para reconhecer as pessoas – a voz, o perfume, ou algum acessório, como uma pulseira. É impressionante o carinho que Nayara tem pelos seus professores e seus colegas. Ela fala pouco, mas expressão que sente pelo abraço. O que ela mais gosta e de cantar, afirma a professora Simone Fernandes Saraiva, que deu aulas para Nayara do pré a 4ª série.
                  Muitas vezes, há casos aparentemente graves, mas que têm uma verdadeira reviravolta com a inclusão. Foi o que aconteceu com João Gabriel de 14 anos, aluno da 7ª série da  mesma escola de Nayara, freqüentador desde 2002. Ele tem síndrome de Down, e até 10 anos permaneceu em uma instituição especializada. Ao entrar em contato com outras crianças teve dificuldade de se socializar, não entrava na sala, era agressivo e xingava. “A criança aprende por imitação. O referencial dele era de crianças com deficiências mais graves, que não andavam ou falavam” explica a diretora Rosana. Aos poucos ele foi compreendendo como a escola funcionava. Hoje seu melhor amigo se chama Renato, colega de turma. Com ele aprendeu a curtir rap e dança como ninguém!
                  Quando se fala em benefício que inclusão traz, o primeiro pensamento que surge é o de que as pessoas com deficiências têm mais chances de desenvolver como ocorreu com João. Mas todos ganham ao exercitar a tolerância e respeito. Professores que vivem diariamente a experiência, afirmam quem aprende mais somos nos. Só quem tem contato com essas crianças percebe que lidar com elas não é difícil. É um privilégio, afirma Simone.
                  As crianças também percebem o quanto é necessário observar e respeitar a necessidade dos amigos. “A Taila não consegue ver e o único jeito de ela prestar a atenção na aula é ouvindo. Por isso a gente faz silêncio” conta Jéssica silva de 10 anos. Esse senso de responsabilidade pelo bem-estar do outro e um exercício constante nas escolas inclusivas, por isso é comum, na hora do recreio, a rampa que dá acesso ao pátio  estar cheia de crianças, em vez de usar as escadas, elas fazem questão de acompanhar os amigos com deficiência.
                  Para integrar as turmas, a professora Geisa, responsável pelas sala multimeios, ensina o  coral da escola em libras. Detalhe: todos os alunos do coral são ouvintes. ”Ensinamos libras às crianças para que o aluno surdo possa se comunicar com elas e participar da rotina da escola com os demais. Eles adoram aprender uma segunda língua”. Explica Geisa.
                  Muitos pais já ouviram, essa frase, “desculpe, mas não estamos preparados para receber seu filho com deficiência na escola regular”. Realmente muitas escolas privadas não podem manter os custos de atendimento educacional especializado e as públicas não recebem recursos e capacitação. Mas recusar a matricula e crime. Em seu livro, Direitos das Pessoas com deficiência (Editora WVA) Eugênia Fávero lista medidas a serem tomadas pela escola: eliminar as barreiras arquitetônicas, estabelecer práticas pedagógicas que valorizem a diversidade e que não avaliem para excluir ou categorizar as crianças e fazer parcerias.
                  Na Escola Viva, particular não existe atendimento educacional especializado, mas todas as crianças com deficiência freqüentam instituições especializadas que trabalham em parceria com a escola. Desta forma, a coordenação e os professores aprenderam que seria importante para Nayara saber sobre a organização e os horários da turma. Desde então, todo professor que entra na sala entrega a ela um objeto relacionado à matéria, como uma régua ou uma caneta. A conversa entre especialistas das instituições e a escola e constante. “O fisioterapeuta, o psicólogo ou o médico colaboram com seus conhecimentos, mas quem cuida do conteúdo pedagógico e o professor afirma Rosana Ramos. Na rede municipal de Florianópolis, o atendimento educacional especializado não é feito na sala multimeios, e sim, por parcerias com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais e a Vida em Movimento, instituições especializadas que recebem apoio financeiro da prefeitura.
                  Quando a estrutura não oferece o básico, os parentes são fundamentais, pois as crianças não podem esperar a escola se preparar. Por isso, na rede pública, feitas as adaptações físicas adequadas, e estabelecidas as parcerias, o passo seguinte é cobrar da rede pública verba e apoio pedagógico. Há pelo menos 13 anos que se lida com a inclusão. Até quando vamos alegar que não estamos preparados? Diz Rosângela Machado, de Florianópolis. Muitas pessoas já pararam de fazer essa pergunta e passaram a ação. Entender a inclusão não significa apenas cumprir a lei. Significa levar a escola crianças que vivem isoladas de um mundo que tema a ganhar com sua presença. E mais fazer com que muitos alunos – que sempre estiveram nas salas regulares - vivam na diversidade. Um dos papeis da escola é praticar a responsabilidade pelo outro e estimular as crianças a fazer o mesmo.
                  Entre tantos relatos torna-se oportuna a reportagem da Revista Aprende Brasil, 2004, refere-se à diversidade no interior de São Paulo. Partindo da iniciativa de um garoto de classe média, o destino de muitas crianças carentes de uma pequena cidade do interior paulista foi modificada, em função da sua necessidade por reforço pedagógico, esse fato, levou a criação de um centro de educação para atendimento de surdos, apontada hoje como referencia no trabalho de apoio e inserção. Inspirado em um projeto universo acadêmico, o Centro Municipal de Ensino Especial para surdos, Edna Cristiane Chiozini, em Matão, município com pouco mais de 100 mil habitantes a 20 quilômetros de Araraquara, é produto do trabalho e empenho de um grupo de educadores que investe tempo e inteligência no desenvolvimento e aprimoramento do ensino de crianças e jovens com necessidades especiais. Na prática funciona como um elo entre ensino curricular e uma formação integral do aluno portador de necessidades especiais. “visamos a formação integral de alunos emocional, moral, artística , social e profissional e intelectual atendendo-o de modo individual e com métodos adequados, explica a diretora do Centro, professora Adriana.
                  O que existe é uma completa integração entre crianças, jovens e alguns adultos que convivem lado, ajudando-se mutuamente na tarefa de superar um pouco mais a cada dia que passa, a espinha dorsal do projeto pedagógico e o ensino da Matemática e da língua Portuguesa, por proporcionarem o domínio do raciocínio lógico e da comunicação, pontos-chave para um melhor aproveitamento na aprendizagem curricular. Mas o leque do aprendizado passa pelas aulas de Fonoaudiologia e de Educação Física. Desde 2002, os alunos contam também com o ensino de informática artesanato e marcenaria. “Eles aprendem com as próprias professoras que foram se especializar para poder ensinar as noções básicas em cada uma das áreas, reforça a diretora, explicando que as oficinas foram montadas a partir de uma campanha de arrecadação realizada também pelo grupo docente.
                  O trabalho não para por aí. Os alunos são preparados para trabalhar no comércio da cidade, muitos puderam casar e constituir família.
                  Verifica-se neste capítulo, que a inclusão depende de ação conjunta do sistema educacional e da predisposição dos profissionais que atuam no ambiente escolar.  Incluir não significa apenas abrir espaços para que as crianças portadoras de necessidades freqüentem a escola ou conviva com outras crianças. A responsabilidade com elas é muito, pois o propósito não é apenas criar condições para que elas aprendam, e sim fazer com elas exerçam seu papel como cidadãos e que possam ser felizes, independente do grau de deficiência.
                 
CAPÍTULO III


 ESCOLA INCLUSIVA, A FORMAÇÃO DE PROFESSORES E RELAÇÃO ENTRE  A PSIOCPEDAGOGIA INSTITUCIONAL


Nota-se que a educação inclusiva se ajusta ao contexto real da escola em que responde aos desafios que se apresentam, o espaço da escola em si, deve ser vista como espaço de todos e para todos.
Este modelo implicará na busca de alternativas que garantam o acesso e a permanência de todas as crianças e adolescentes. O que se deseja na realidade, é a construção de uma sociedade inclusiva compromissada com as  minorias cujo grupo inclui os portadores de necessidades educativas especiais.
Segundo a Organização das Nações Unidades (ONU), o Brasil possui cerca de quinze milhões de deficientes, cuja grande maioria provavelmente está aguardando a oportunidade de participar da vida de uma sociedade, como é seu direito. Para tal, necessita de uma nova escola que saiba refletir criticamente e pesquisar; deverá ser corajosa para criar e questionar o que está estabelecido, em busca de metas inovadoras, e em respeito as necessidades de  inclusão. Como diz (Mantoan 1997, p.67) “[...]. Cabe a escola encontrar respostas educativas para as necessidades de seus alunos”.
Buscar respostas para atender a diversidade, torna o processo pedagógico enriquecedor, proporcionando uma melhor qualidade de educação para todos. Só assim a escola inclusiva atuará, compreendendo o aluno portador de necessidades educativas especiais, passando a compreendê-lo respeitando-o na sua diferença, reconhecendo-o como pessoa que tem determinado tipo de limitação, mas que também possui seus prontos fortes. Por isso, é necessário que se abandonem os rótulos, as classificações, procurando levar em conta as possibilidades e necessidades impostas pela deficiência. É preciso que se ative em favor de um movimento de desagregação, no sentido de trazer a escola regular aqueles que, até então, nunca tiveram acesso a ela. Para tanto, precisa valer-se das diferentes modalidades de atendimento de Educação Especial expressas na política nacional (MEC, SEESP 1994). Estas modalidades deverão ser no interior das escolas regulares. Elas se caracterizam como alternativas de procedimentos didáticos específicos e adequados às necessidades educacionais desses alunos e implicam espaços físicos, recursos humanos e materiais diferenciados.
As modalidades de Educação Especial de maior integração são: classe comum, classe especial, professor itinerante e sala de recursos.  Essas têm como objetivo atender a diversidade dos alunos que compõem o grupo de necessidades educativas especiais. Desta forma, poderão oferecer igualdade de oportunidades em meio às diferenças visando o exercício da cidadania de todo e qualquer indivíduo democratizando a educação. E de acordo com esse propósito segue em anexos as estratégias para serem utilizadas por professores.
O planejamento da ação educativa deve ser participativo, envolver os educadores da educação especial e da educação regular. O professor especializado deve participar de todas as ações, opinando, bem como de todo planejamento em suas fases de elaboração, execução e avaliação. O professor deve assumir, integrar a equipe escolar, socializando o seu saber com os demais.
Discutir a escola como espaço inclusivo, implica analisar criteriosamente a questão do fracasso escolar, o qual vem acontecendo a partir de diversos pontos de vista: aspectos sociais, econômicos culturais biológicos, psicológicos. No entanto, o fracasso propriamente tido ocorre entre alunos das classes sociais mais baixas. Estes encontram inúmeras barreiras no cotidiano escolar.
Não resta dúvida de que existe uma relação entre prática educativa e dimensão política, e que toda prática política possui uma dimensão educativa. O capitalismo que, na sua essência, exige, exclusão, quando aplicado em sociedades periféricas, faz da exclusão uma regra.
A escola existe em função do aluno, o qual se ingressa em busca de conhecimentos, de habilidades, para aprender a se relacionar na sociedade. Se isso não ocorre, a escola não está cumprindo sua função. O sucesso dos alunos não depende da capacidade de se adaptarem aos códigos existentes dentro dela. Essa é a caracterização da cultura do fracasso. Essas crianças com carência social e cultural são vistas como incapazes de aprender e avançar dentro de uma escola acabada e perfeita que se julgue imune a qualquer avaliação.
A escola como espaço inclusivo deve encarar o desafio, preparando-se para lidar com determinadas situações, pois a forma mais cruel e irremediável de exclusão escolar, é sem dúvida a da exclusão social, é a não garantia de acesso e permanência de todos na escola, pois nega o direito elementar de cidadania.
Urge pensar numa renovação pedagógica, que considere as diferenças. Não resta dúvida de que a qualidade da educação tem importância prioritária para o crescimento econômico, social e político de um país.
Cabe aos governantes formular políticas que assegurem a inclusão dos excluídos e estabelecer metas e procedimentos eficientes de inclusão e de ampliação da cidadania.

3.1. A questão curricular

Inserir os alunos com necessidades especiais na rede regular do ensino constitui o primeiro passo para a inclusão, porém o passo mais significativo deve ser seguido de medidas pedagógicas que garantam o aceso à aprendizagem e ao conhecimento. É preciso agilizar os meios que efetivem a possibilidade e a permanência do aluno na escola, favorecendo-lhe seu acesso ao currículo.
A prática da inclusão da realidade brasileira denota certas dificuldades: despreparo do sistema regular de ensino para atuar no processo; resistência da comodidade escolar na aceitação dos alunos (conforme Carvalho & Monte, 1994); e fatores diversos de natureza familiar, institucional e sociocultural.
As necessidades especiais devem ser atendidas por meio do currículo regular, de maneira adaptada  ou não.
A vivência escolar tem demonstrado que a inclusão pode ser favorecida quando se observam as seguintes providências: preparação e dedicação dos professores; apoio especializado para os que necessitam; e a realização de adaptações curriculares e de acesso ao currículo, se possível.
O currículo pode representar um grande obstáculo para os alunos com necessidades educacionais especiais na escola regular, sobretudo, quando ele impõe uma referência homogênea a ser alcançada por todos os educando, independentemente das condições particulares que possam apresentar.
Considerando esses obstáculos um entrave para educação, é que os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) constituem referências válidas para guiar a educação dos alunos com necessidades especiais, assim como os demais alunos. Seus pressupostos, objetivos e indicações consideram questões pedagógicas do fazer educativo de forma a atender à diversidade dos alunos na escola e as particularidades de sua cultura.
Assim a escola deverá:
1-    Preparar o aluno para o sucesso profissional e vida independente.
-          Promover profissionalização (trabalhador capacitado, produtivo etc.)
-          Provendo o programa de desenvolvimento da vida profissional e vida independente (trabalhador responsável pessoa com habilidades sociais e cidadãos independente) Adaptação e uso de técnicas de supervisão empresarial:
-          Dar feedback imediato pelo bom desempenho do aluno
-          Modelar comportamento, mostrando comportamento específico a ser aprendido.
-          Modificar tarefas designadas, dependendo da facilidade/ dificuldade do aluno.
-          Fazer o aluno “espelhar” num funcionário da escola (quanto aos hábitos de trabalho)
-          Descrever expressamente as responsabilidades da tarefa (objetivo, prazo, apresentação de relatório etc).
-          Usar lista de verificação de todo o processo de execução da tarefa tipo (Sim, Não)
-          Elaborar instruções detalhadas
-          Apontar um comportamento social inadequado e oferecer sugestões para melhorá-lo
-          Pedir ao aluno que aponte as instruções que não entende.
2-    Preparar a própria escola para incluir nela o aluno portador de deficiência.
-          Sensibilização e treinamento dos recursos humanos da escola (todos os funcionários de todos  os níveis)
-          Reorganização dos recursos materiais e físicos da escolar
-          Preparar a comunidade para incluir nela o futuro trabalhador.
-          Sensibilização das empresas, entidades e órgãos da comunidade através de palestras, exposições visitas e outros eventos.
-          Sensibilização de pais de alunos (deficientes e não deficientes) para um papel mais ativo em prol de uma escola inclusiva e de uma sociedade inclusiva.
A preparação ocorre em sala de aula nos setores operacionais da escola e da comunidade, aliada a uma ação conjunta de direção, corpo docente da escola, das autoridades educacionais, dos profissionais da educação especial e/ ou de reabilitação, dos líderes de movimento dos portadores de deficiência e representantes da comunidade.

3.2. Formação de professores para inclusão

Uma das condições de funcionamento da escola é o professor, apesar de ter consciência desse fato, a instituição escolar terá de buscar novos posicionamentos diante dos processos de ensino e de aprendizagem, orientados por concepções e práticas pedagógicas que atendam a diversidade humana.
Exige-se nesse momento, dos professores, outros conhecimentos além dos que receberam nos seus cursos de formação para o magistério. Da mesma forma, também os cursos de nível médio e superior de formação de professores necessitarão de grandes mudanças em sua estrutura curricular.
A reforma da formação de professores se faz necessária, pois precisam aprender a identificar e atender às necessidades especiais de aprendizagem de todas as crianças, jovens e adultos portadores ou não de deficiência.
Não somente na educação infantil é fundamental, o objetivo principal é satisfazer as necessidades especificas de aprendizagem de cada criança e aprender a desenvolver o seu potencial, a partir de sua realidade particular. Isso exige dos professores, maior sensibilidade e pensamento crítico a respeito de sua prática pedagógica, que tem como prioridade a autonomia intelectual, moral e social de seus alunos.
Parte do movimento de inclusão, o professor capaz de conviver com os diferentes, superando os preconceitos em relação às minorias. Deve estar preparado para adaptar-se as novas situações que podem surgir no interior da sala de aula.
Os cursos de formação de professores devem ter como finalidade, a criação de uma consciência crítica sobre a realidade que eles vão trabalhar e o oferecimento de uma fundamentação teórica que lhes possibilite uma ação pedagógica eficaz.
 É dever do Estado investir com seriedade na formação inicial e continuada dos profissionais de educação e de forma específica, na formação do magistério para todos os níveis e modalidades educacionais. Esta formação, em todas as instâncias, precisa concordar com a política educacional brasileira  urgente que prevê a inclusão/ integração dos alunos com necessidades especiais no ensino regular e também, com a oferta de serviços de Educação Especial para atender as necessidades educativas especiais.

3.3. O Papel do professor diante da inclusão

A atitude do professor é um dos fatores que mais contribui para o sucesso de qualquer medida de integração da criança com deficiência.
Atingir esse objetivo da integração depende exclusivamente do papel do professor, determinação de variáveis como a sua vontade, em levar a cabo as tarefas de ensino destes alunos e a sua formação ou preparação pedagógica para o fazer.
Sendo um fator preponderante a atitude do professor, é que experiências como  a de Débora Araújo Seabra de Moura de 25 anos, portadora da síndrome de Down, em o Informativo do MEC, 2005, ela pode vencer os preconceitos, a rejeição da família, graças ao desenvolvimento da sua auto-estima. Estudando em escola regular desde os dois anos, nunca se escondeu, fez amigos e descobriu a vontade lecionar, graças ao incentivo de sua professora colocando-a como sua auxiliar da pré-escola, no colégio Imaculada Conceição, onde concluiu o ensino fundamental. A sensibilidade de Débora cativou as crianças. A partir daí tomou uma decisão, seria professora.
As dificuldades se somaram, porém Débora motivou-se a escrever ima carta a direção da escola, exigindo respeito. Discriminação é crime. Com o tempo, ela provou sua capacidade de trabalhar com crianças em estágio como no Núcleo Educacional Infantil, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), conquistou a admiração de todos.
     O curso de magistério foi concluído no final de 2004, em Natal. Agora Débora luta pelo direito de exercer sua profissão como professora auxiliar e, assim escutar as palavras que mais gosta: professora Débora.


3.4. A  Relação entre Psicopedagogia Institucional e Inclusão

                  Esta relação entre Psicopedagogia Institucional  deve  levar em conta o surgimento da Psicopedagogia como  necessidade de se sistematizar idéias provenientes de outras áreas, no sentido de estruturá-la como um corpo de  conhecimentos.  Vê-se que  a sua contribuição está  na busca de soluções para a problemática da aprendizagem.
                  E  constatar que é a  aprendizagem a  responsável pela inserção da pessoa no mundo da cultura, e que a Pscopedagogia Institucional pode atuar no contexto da inclusão, por considerar que é   através da  aprendizagem  que o portador de necessidades especiais pode ser incorporado ao mundo cultural, com uma participação ativa ao se apropriar do conhecimento e técnicas, construindo  em sua interioridade um universo de representações simbólicas.


                
CAPÍTULIO IV

 ESTUDO DE CASO: INCLUSÃO NAS ESCOLAS DE SÃO MIGUEL DO ARAGUAIA


      Ao contextualizar a contribuição epistemológica de Piaget e Vygostky para a educação, pode-se perceber que as suas teorias emergem como pressupostos indispensáveis  ao trabalho psicopedagógico.
                  Levando em  conta  as duas funções características de Piaget  todos os organismos vivos: organização e adaptação. O desenvolvimento intelectual consiste em mudanças progressivas e seqüenciais na estrutura da organização. Os sistemas ou estruturas cognitivas mudam através da adaptação. Por sua vez a adaptação e composta de dois processos invariantes;  quando a criança aplica estruturas cognitivas existentes à nova informação ao mesmo tempo, a nova informação e assimilada é incorporada às estruturas cognitivas existentes podem ocorrer também  com pessoas portadoras de necessidades especiais
                  Esses processos suscitam mudanças nas estruturas cognitivas, habilitando o individuo a interar melhor com o seu  ambiente em mudança, na medida em que sublinham todas as adaptações estruturais e matem um estado de equilibração. Sempre que ocorre um estado de desequilíbrio, o crescimento intelectual terá lugar se a criança for capaz de reconhecer a contradição ou discrepância entre o que suas estruturas cognitivas podem admitir e o que a nova situação exige. Mediação (vygotsky) assimilação (Piaget) são conceitos que se  completam, pois nós assimilamos o mundo e as coisas pela mediação de imagens mentais, memória  de estruturas operatórias de classificação, seriação, casualidade  etc. e principalmente da palavra.
                  Para Vygotski, a criança já nasce num mundo social e, desde o nascimento vai formando uma visão desse mundo através da interação com adultos ou crianças mais experientes a construção do real é, então, mediada pelo interpessoal antes de ser internalizada pela criança. Desta forma, procede-se do social para o individual, ao longo do desenvolvimento.
                  Piaget acredita que a aprendizagem subordina-se ao desenvolvimento e em pouco impacto sobe ele. Com isso, ele minimiza o papel da interação social. Vigotsky ao contrário, postula que o desenvolvimento e aprendizagem não são processos que se influenciam reciprocamente, de modo que quanto mais aprendizagem, mais desenvolvimento..
                  Segundo Piaget, o pensamento aparece antes da linguagem, que uma das suas formas de expressão. A formação do pensamento depende da coordenação dos esquemas sensorimotores  e não da linguagem e a criança portadora de necessidades especiais também é percebida para que possa se desenvolver e que  essa criança  alcance  um determinado nível de habilidades mentais, subordinando-se pois, aos processos de pensamento. A linguagem possibilita a criança evocar um objeto ou acontecimento ausente na comunicação de conceitos.
                  Piaget, todavia, estabelece uma clara separação entre informações que podem ser passadas por meio da linguagem e os processos que não parecem sofrer qualquer influência dela. Este é o caso das operações cognitivas que não podem ser trabalhadas por meio de treinamento especifico feito com auxilio da linguagem..
                  Já para Vygosky, pensamento e linguagem são processos interdependentes, desde o inicio da vida, a aquisição da linguagem pela criança modifica suas funções mentais mais superiores ela dá forma definida ao pensamento, possibilita o aparecimento da imaginação, o uso da memória e o planejamento da ação, tanto assim que a escola se torna responsável em dar seqüência.
                  Nesse sentido, a linguagem, diferentemente daquilo que Piaget postula, sistematiza a sua experiência direta das crianças e por isso adquire uma função central no desenvolvimento cognitivo, reorganizando os processos que nele estão em andamento.
                  Portanto, todas essas teorias são relevantes para o trabalho pedagógico, na medida em que a escola possa aperfeiçoar seus processos sensoriais, perceptivos e imaginativos. Isso pode ser alcançado por meio de experiências que estimulem a exploração, a experimentação e a criação.
                  Atentando para essas teorias é que foi feita uma análise, aqui em São Miguel do Araguaia, a Escola Estadual Castelo Branco, surge como referência para as cidades circunvizinhas por causa do número de alunos portadores de necessidades especiais que já foram inseridos. Antes da implantação do projeto, a escola já trabalhava de forma inclusiva. Esta escola tornou-se ponto de referência com apoio da equipe de Inclusão da Subsecretaria de São Miguel do Araguaia.
Em 2001, outras foram incluídas como escolas inclusivas, também as Escolas São Francisco de Assis, Escola Evangélica Araguaia, na qual trabalho com inclusão, realizando o trabalho de intérprete de Libras. Os professores têm como suportes, regentes de apoio capacitados para trabalhar nas escolas inclusivas.
Em 2003, a Escola Municipal Maria Astéria, passou a ter sede própria e com isso foi ampliada para receber os alunos portadores de necessidades especiais.
      Brevemente a UEG terá sua sede própria, com sua estrutura adaptada para atender os portadores de necessidades especiais.
    


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Neste estudo procurou-se mostrar que a inclusão se principia com a construção de experiências de inserção social. Em várias partes do mundo, sobretudo no Brasil, modificações pequenas e grandes vêm sendo feitas em setores como escolas, empresas, áreas de lazer, edifícios e espaços urbanos, para possibilitar a participação plena de pessoas deficientes, com igualdade de oportunidades junto a população geral. Formalmente a ONU – Organização das Nações Unidades estabelece, por meio da resolução 45/91 da Assembléia Geral de 1990, a meta de concluir até 2010 o processo de Construção de uma sociedade igualitária. E, para apoiar ações de implementação dessa meta conta ainda com o fundo voluntário das Nações Unidas sobre deficiência, aprovado pela Assembléia Geral por meio da Resolução 40/31.
Em termos educacionais, muitas mudanças estão ocorrendo. O paradigma deve ser visto como a inserção escolar o de pessoas com deficiência não devem ser separadas e sim serem incluídas na pré-escola, ensino fundamental, médio e superior.  Esse paradigma se refere à inclusão social – escolas (tanto comuns como as especiais) precisam ser reestruturadas para acolherem todo o espectro da diversidade humana representada por pessoas com deficiências físicas mentais, sensoriais,  múltiplas e com qualquer grau de severidade dessas deficiências. O sistema educacional deverá adaptar-se às necessidades de seus alunos (escola inclusivas), mais do que os alunos deverão se identificar ao sistema educacional (escolas integradas).
O papel da sociedade em geral é modificar concepção de integração em que as escolas, empresas, programas, serviços, ambientes físicos e etc., possam acolher todas as pessoas que ao serem incluídas nessa sociedade em modificação, venha ser atendida nas suas necessidades, comuns e especiais.
É necessário que vários tipos de ações sejam implementadas. Uma delas seria uma campanha de esclarecimento do público em geral, das autoridades educacionais e dos alunos das escolas comuns e especiais e de seus familiares. Outra ação seria o treinamento de atuais e futuros professores enfocando os conceitos exclusivistas (autonomia, independência emporwerment, equiparação de oportunidade, inclusão social modelo social da deficiência, rejeição zero e vida independente). A Declaração de Salamanca,  enfoca o direito à educação no ensino regular, os princípios da inclusão escolar, os procedimentos em sala de aula e as atividades extracurriculares que constituem as melhores políticas de ensino–aprendizagem já comprovadas por escolas inclusivas bem sucedidas.
Referindo-se ainda aos treinamentos, deverá ser garantido aos professores o seu acesso a todo material, inclusive, audiovisual sobre educação inclusiva. Deverá ocorrer também uma série de modificações nos ambientes escolares e nos materiais de ensino–aprendizagem, além de mudanças nos critérios escolares e nos matérias de ensino aprendizagem, como também de mudanças nos critérios de avaliação, do rendimento escolar e de promoção nas séries.
É evidente que ocorrem resistências no sentido de conseguir uma efetiva inclusão, sobretudo no âmbito escolar, por terem como origem o desconhecimento ou de informações a respeito do paradigma da inclusão. Em relação a inclusão escolar, as resistências se encontram entre as autoridades educacionais de todos os níveis, entre professores comuns e especiais, e entre famílias, e  ambos com e sem deficiência.
Com relação à inclusão profissional, as resistências emitem de dois lados: das relações de trabalho, as agências de educação profissional, empregadores em geral, as pessoas deficientes e suas famílias e entre dirigentes e profissionais especializados na área de deficiência.
Os preconceitos em relação à inclusão podem ser eliminados através de ações de sensibilização da sociedade e, em segundo mediante a convivência na diversidade humana dentro das escolas inclusivas, das empresas inclusivas, dos paradigmas de lazer inclusivo.
                  Nesses primeiros anos deste século, muita coisa já mudou. A novela América de Gloria Perez  significou um grande passo nesse sentido. A novela Malhação coloca a personagem Vitória como uma pessoa capacitada e, ainda por cima com a possibilidade de ser amada como qualquer outra pessoa. É lógico que nem tudo parece ser tão simples. A personagem vive momentos conflitantes. A novela de Manoel Carlos também  ao enfocar  esse universo, nos coloca frente-a-frente com o preconceito das pessoas em relação as pessoas com síndrome  de Down, basta ver a reação da personagem ao rejeitar a neta, a ponto de abandoná-la no hospital. Outra cena chocante aconteceu recentemente no dia 05 de setembro, quando a personagem Helena, numa reunião de pais, aguarda ansiosa pelas tarefas da então filha adotiva.  A reação da mãe é enorme ao saber que a filha fora excluída das atividades ppr causa da discriminação da professora. A reação da mãe nos comove, pelo fato dela ser conscientizada, pois na maioria das vezes, por ignorância ou pela desinformação os pais de pessoas portadoras de necessidades especiais não saber sequer lutar pelos seus direitos.  Ao focalizar da síndrome de Down, isso não significa que será o tema central da novela, entretanto, servirá para que os telespectadores saiam de sua inércia e passem a ver os portadores de  necessidades especiais como seres humanos.
                  O tema abordado nessa monografia está relacionado ao curso de Psicopedagogia Institucional, por abranger todo o processo de aprendizagem e a instituição escolar. Cabe ao psicopedaogo estar atento a questão da inclusão  por ele ser um profissional capacitado para dar o suporte necessário para a inclusão realmente acontecer.  O ensino precisa ser reformulado, para que não haja discriminação ou rejeição do portador de necessidades especiais.      
                  Ao delimitar o campo de atuação do trabalho psicopedagógico, o profissional deverá diferenciar as modalidades de atuação, especificando as suas tarefas. Dessa forma, o trabalho psicopedagógico na área preventiva e de orientação no processo ensino-aprendizagem, visará favorecer a apropriação de conhecimento no ser humano, ao longo da sua evolução.


INCLUSÃO: O DESPERTAR DE UMA NOVA SOCIEDADE
INCLUSÃO: O DESPERTAR DE UMA NOVA SOCIEDADEINCLUSÃO: O DESPERTAR DE UMA NOVA SOCIEDADE 

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